sábado, 30 de dezembro de 2017

HISTÓRIA | 6 fatos sobre Cleópatra


Ela é uma das mulheres mais conhecidas da história, famosa por sua suposta beleza e intelecto, e por seus amores com Júlio César e Marco Antônio.

Porém, Mary Hamer* argumenta que a maioria do que pensamos sobre Cleópatra é mero eco da propaganda romana...

Como mulher, governante de um país muito rico, a independência de Cleópatra era um anátema para Roma. Além disso, ela havia “seduzido” dois de seus mais importantes generais – César e Marco Antônio – depois se juntou a Antônio em uma guerra contra Roma.

Fora da Europa, na África e na tradição islâmica, ela foi lembrada de uma forma muito diferente. Os escritores árabes se referem ela como erudita e, 400 anos depois de sua morte, uma estátua de culto a Cleópatra estava sendo homenageada em Philae, um centro religioso que atraiu peregrinos para o sul, fora do Egito.

Mas você sabia...

1) Cleópatra fez de Júlio César seu aliado que a estabeleceu no trono egípcio

Ela então o convidou para uma viagem até o Nilo e, mais tarde, lhe deu um filho que o chamou de Cesarião ou Cesárion (“pequeno César”).

Em Roma, isso foi um escândalo. Em primeiro lugar porque a cultura egípcia e Cleópatra eram julgadas como decadentes. Também conta o fato de que Júlio César não teve outros filhos – embora estivesse casado com Calpúrnia e tenha tido duas espoas antes – e se tornado o homem mais poderoso de Roma.

A elite romana deveria compartilhar seu poder, mas César parecia querer ser um monarca supremo. Era uma perspectiva duplamente insuportável: Cesarião, um egípcio, poderia crescer e reivindicar Roma como herdeiro de César.

A atriz Lyndsey Marshal interpretando Cleópatra na série "Roma" (HBO)

2) Fantasias sobre Cleópatra são apenas isso, fantasias.

Plutarco, o biógrafo grego de Marco Antônio, afirmou que não era tanto o aspecto da beleza que era tão atraente em Cleópatra, mas sim sua conversa e inteligência.

Cleópatra assumiu o controle à sua maneira, de formas diferentes de acordo com a necessidade política. Por exemplo, em eventos cerimoniais, ela aparecia como a deusa Ísis: era comum que os governantes egípcios se identificassem com uma divindade. Em moedas cunhadas no Egito, entretanto, ela escolheu ser mostrada com a linha de mandíbula forte de seu pai, para enfatizar seu direito de governar.

As esculturas também não nos dão uma pista muito clara: há duas ou três cabeças no estilo clássico, assim como uma série de estátuas no estilo egípcio, e sua aparência nestas é bastante diferente.

Busto de Cleópatra

3) Cleópatra estava morando em Roma como amante de Júlio César quando ele foi assassinado.

O assassinato de César em 44 a.C. significava que Cleópatra estava em perigo, então ela partiu imediatamente. Com seu pequeno filho, Cesarião, ela morou em um palácio às margens do rio Tibre (embora seja provável que ela não tenha feito do palácio sua residência permanente, mas voltou ao Egito em visitas regulares). Não surpreendentemente, Cleópatra pode ter sido muito indesejada em uma cidade que havia livrado seus reis, pois ela insistia em ser abordada como “rainha”.

O que pode não ter ajudado a honrá-la, Júlio César colocou uma estátua de Cleópatra coberta de ouro no templo de Vênus Genetrix – a deusa que produz vida, que eram muito respeitada por sua família. 

4) Cleópatra foi mãe e rainha do Egito

Ela teve Cesarião, seu filho mais velho, representado na parede do templo em Dendera, ao lado dela, como compartilhando seu governo. Após sua morte, o imperador romano Augusto atraiu Cesarião de volta com promessas de poder, para apenas assassiná-lo. Ele tinha 16 ou 17 anos, embora algumas fontes dissessem que ele tinha apenas 14 anos.

Marco Antônio era o pai de outros filhos de Cleópatra, Ptolomeu Filadelfo e os gêmeos, Cleópatra Selene e Alexandre Helios. Os gêmeos tinham 10 anos e Ptolomeu 6 quando a mãe morreu. Eles foram levados para Roma e tratados na casa da viúva de Marco Antônio, Octavia onde foram educados.

Adulta, Cleópatra Selene casou-se com Juba, um rei menor, e enviada para governar com ele na Mauritânia. Ela deu luz a (outro) Ptolomeu – o único neto conhecido de Cleópatra. Ele morreu com idade adulta por ordem de seu primo, Calígula. Então, nenhum descendente de Cleópatra viveu para herdar o Egito.

5) Quando nos referimos ao oitavo mês, “agosto”, estamos comemorando a derrota e a morte de Cleópatra.

Augusto fundou seu reinado com a derrota de Cleópatra. Quando ele teve a chance de escolher um mês para ser nomeado em sua homenagem, em vez de escolher setembro – o mês do seu nascimento – ele escolheu o oitavo mês, em que Cleópatra morreu, para criar um lembrete anual da sua derrota. 

Augusto teria gostado levar Cleópatra como uma cativa pelas ruas de Roma, como outros generais fizeram com seus prisioneiros, nos triunfos formais que celebram suas vitórias. Mas ela se matou para evitar isso.

Cleópatra não morreu por amor. Como Marco Antônio, que se matou porque não havia mais um lugar de honra para ele no mundo, Cleópatra escolheu morrer em vez de sofrer a violência de ser desfilada, envergonhada e desamparada, através de Roma. Augusto teve que se contentar com uma imagem dela que foi levada pelas ruas de Roma.

"A Morte de Cleópatra", por Reginald Arthur (1892)

6) O nome de Cleópatra era grego, mas isso não significa que ela seja grega

A família de Cleópatra era descendente do general macedônico Ptolomeu, que ficou com o Egito quando o império de Alexandre, o Grande foi dividido após sua morte. Mas 250 anos se passaram antes que Cleópatra nascesse – 12 gerações com seus amores e relações secretas.

Hoje, sabemos que pelo menos uma criança em 10 não é atribuída ao pai biológico correto. A população egípcia incluiu pessoas de diferentes etnias e, naturalmente, incluíam africanos, já que o Egito Antigo fazia parte da África. Portanto, não é de todo improvável que, muito antes de Cleópatra nascer, sua herança grega se misturara com outras cepas. E uma vez que a identidade de sua avó é desconhecida, é tolo pensar que estamos seguros de sua identidade racial.

*Mary Hamer é autora de “Signs of Cleopatra: Reading an Icon Historically”. Para saber mais, visite mary-hamer.com

Esse texto foi traduzido e adaptado do original 6 things you (probably) didn't know about Cleopatra do site History Extra.

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