sexta-feira, 28 de julho de 2017

HISTÓRIA | Robespierre, o Incorruptível


Uma das figuras mais controversas da Revolução Francesa, Robespierre não escapou do mesmo destino que muitos tiveram durante o período do "Terror".

No dia 28 de julho de 1794, Robespierre, líder do Partido Jacobino na Convenção Nacional, foi guilhotinado após ser acusado de manter o endurecimento do “Terror”. A trajetória de sua vida mostra um homem firme em suas convicções que o fez ganhar a alcunha de "o incorruptível”.

Uma das figuras mais emblemáticas da Revolução Francesa, Maximilien François Marie Isidore de Robespierrre – ou simplesmente, Robespierre – nasceu no dia 6 de maio de 1758 na cidade de Arras, no interior do França. Filho de um advogado, Robespierre fazia parte da pequena burguesia.

Órfão desde os cinco anos de idade, Robespierre foi criado pelo avô. Dedicou-se aos estudos quando recebeu uma bolsa no colégio Louis-le-Grand, em Paris. Foi onde descobriu Rosseau, tornando-se seu grande modelo em pleitear um Estado voltado para o bem comum e a vontade geral baseada na democracia. Foi um excelente aluno e escolhido para recitar um texto de boas-vindas durante uma visita do rei ao colégio.


Em 1781, retornou à sua cidade natal para exercer a advocacia. Ganhou notoriedade ao defender os mais pobres contra as arbitrariedades da justiça. Por sua austeridade e dedicação passou a ser chamado de o “incorruptível”.

Foi eleito deputado em 1789 para representar sua cidade na Assembleia dos Estados Gerais. Um ótimo orador, na Assembleia tornou-se líder do partido jacobino, grupo radical que defendia os interesses da pequena burguesia. Nos primeiros anos da Assembleia Constituinte, Robespierre ganhou destaque por reivindicar sufrágio universal e educação gratuita.

Com a queda dos girondinos do poder, Robespierre chegou ao controle junto com os jacobinos e implementou o regime do “Terror”. Justificava o regime, o qual “nada mais é do que a justiça rápida, violenta e inexorável. É, portanto, uma expressão da virtude”. O “Terror” foi implementado com a justificativa de defender a Revolução.

Wojciech Pszoniak como Robespierre no filme "Danton - O Processo da Revolução" (1982), de Andrzej Wajda.

O regime ditatorial durou na França entre 1793 e 1794. Robespierre suspendeu a Constituição e foram criados o Tribunal Revolucionário e o Comitê de Salvação Pública, onde o “incorruptível” tomou parte. No Comitê, mostrou sua face mais feroz na defesa dos ideais da liberdade e da igualdade. 

A guilhotina funcionou sem parar durante o período ditatorial já que a ideia era que todos os inimigos do estado deveriam ser executados. A sanha por justiça confundia amigos e aliados. O clima de conspiração contra a Revolução se tornou uma paranoia. Para se ter uma noção, Georges-Jacques Danton, um dos membros do partido jacobino, foi executado na guilhotina.

Estima-se que o “Terror” tenha provocado a morte de dezenas de milhares de pessoas pela França. Entre elas está o químico Antoine Laurent de Lavoisier, pois foi considerado inimigo ao pertencer a Ferme Générale, uma sociedade privada que tinha o direito de cobrar impostos em nome da coroa francesa. Viva-se um período em que ninguém estava livre da morte na guilhotina. Nem mesmo Robespierre.

Em julho de 1794, um golpe comandado pelos girondinos acabou com o Comitê de Salvação Pública. Robespierre e seus companheiros foram presos e condenados à morte. Na prisão, tentou se matar com um tiro abaixo do queixo, porém o que conseguiu apenas foi estraçalhar seu maxilar. O grande orador, agora não podia mais falar. No dia 27 de julho de 1794, foi guilhotinado ao lado de outros jacobinos.

Maximilien de Robespierre é um dos personagens mais controversos da Revolução Francesa. Para alguns, é visto como um defensor dos mais pobres, dos oprimidos e advogado intransigente dos ideais democráticos. Para outros, Robespierre foi um dos primeiros ditadores da era moderna.

Em 2014, quando o jogo "Assassin’s Creed Unity" foi lançado, a forma como Robespierre foi retratado no game de sucesso causou polêmicas na França. No jogo, Robespierre era um vilão (aliado dos Templários) e um sanguinário psicopata. Políticos franceses chegaram a dizer que o jogo denegria a imagem histórica de Robespierre afirmando que o game fazia parte de uma “conspiração capitalista”. A produtora do jogo, Ubisoft, se defendeu dizendo que liberdades criativas foram tomadas para a confecção de "Assassin’s Creed Unity" e que alguns eventos retratados foram exagerados para fins narrativos.

Robespierre em "Assassin's Creed Unity"

De qualquer forma, seja na realidade ou na ficção, Robespierre, o incorruptível, continuará a inspirar aqueles que veem nele uma figura de convicção e força.

FONTES:

DHÔTEL, Gérard. A Revolução Francesa, passo a passo. 1ª ed. São Paulo: Claro Enigma, 2015.

Revista História Viva Grandes Temas nº 2: Revolução Francesa.




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