terça-feira, 11 de julho de 2017

CINEMA | "Mulher-Maravilha" e a "Terra de Ninguém"


Em sua primeira aventura no cinema, a Princesa das Amazonas enfrenta os horrores da Primeira Guerra Mundial.

Mais de 75 anos depois de sua criação, a Mulher-Maravilha ganhou sua primeira adaptação cinematográfica como parte do universo compartilhado dos super-heróis da DC Comics. Tendo agradado grande parte do público e crítica, o filme narra o surgimento da heroína durante o período da Primeira Guerra Mundial. Com a missão de derrotar o poderoso Ares (Deus da Guerra), a Mulher-Maravilha testemunha o horror do conflito mundial.

Criada por William Moulton Marston e desenhada por Harry G. Peter, a Mulher-Maravilha fez sua primeira aparição na revista All Star Comics #8, de 1941. Sua origem remete a cultura greco-romana, mas precisamente ao mito das amazonas, mulheres guerreiras que habitavam numa nação exclusivamente feminina.


Na adaptação cinematográfica dirigida por Patty Jenkins, os elementos míticos gregos da origem da personagem são mantidos: a "Mulher-Maravilha" chama-se Diana e é filha da rainha Hipólita, sendo assim a Princesa das Amazonas, que habitava a ilha de Temiscira, referência a cidade mitológica que estaria localizada no Ponto Euxino, na foz do Rio Termodonte, onde estaria o palácio das amazonas. Porém, o filme toma um rumo distante de tantas outras versões da personagem: ambienta a primeira aventura da Mulher-Maravilha no “mundo dos homens” durante a Primeira Guerra Mundial.


Para a Princesa das Amazonas, Ares tem influenciado a humanidade à guerra. Dessa forma, encontrar e derrotar o temível deus é o passo principal para acabar com o conflito mundial. Acompanhada por Steve Trevor, a Mulher-Maravilha vai em direção à frente de batalha.

A Primeira Guerra Mundial, ou "Grande Guerra" como foi denominada naquela época, foi o conflito que começou em 1914 e terminou em 1918. Promovida pelos choques imperialistas, a guerra teve como estopim o assassinato do arquiduque austríaco Francisco Ferdinando.

Deflagrada a guerra, sua primeira fase é marcada por movimentos nos territórios e pelo jogo das “alianças” que arrastaram os países para dentro do conflito. A segunda fase da guerra ficou denominada como “guerra de trincheiras” em referências as trincheiras construídas nos campos de batalha.

As trincheiras eram grandes valas construídas para a proteção dos soldados. Geralmente eram abertas pela tropa e mediam 2,3 metros de profundidade e 2 m de largura. No parte mais alta, eram colocados sacos de areia e arames farpados. Existia também o “fire step”, um degrau interno que permitia a observação dos inimigos.


Construída para proteger os soldados, as trincheiras logo se transformaram em inimigas. Soldados se amontavam nesses espaços marcado pela insalubridade. Os mortos que se acumulavam nas trincheiras transformaram-se num grande chamariz de ratos. Doenças se espalharam, a mais conhecida era a “febre de trincheira”, cujos sintomas eram fortes dores no corpo e febre alta. Havia também o “pé de trincheira”, uma espécie de micose que poderia provocar gangrena e até mesmo a amputação do pé.



Confira abaixo o depoimento de um soldado da Grande Guerra:

“O odor fétido nos penetra garganta a dentro ao chegarmos em nossa nova trincheira, a direita de Éparges. Chove torrencialmente e nos protegemos com o que tem de lonas e tendas de campanha afiançadas nos muros da trincheira. Ao amanhecer do dia seguinte constatamos estarrecidos que nossas trincheiras estavam feitas sobre um montão de cadáveres e que as lonas que nossos predecessores haviam colocado estavam para ocultar da vista os corpos e restos humanos que ali haviam.”

- Raymond Naegelen.

Entre as trincheiras, havia o terreno que não fora conquistado por ninguém e não fornecia nenhum tipo de proteção, era a “Terra de Ninguém”. O termo foi criado pelos ingleses para designar o espaço que se estendia entre as trincheiras. Para se ter uma noção, o front ocidental que se estendia por 654 km, é estimado que 40 mil km era ocupado pelas trincheiras, sistema que se colocado em linha reta seria possível contornar o planeta.

A “Terra de Ninguém” era um território de morte certa. Sem oferecer proteção, era coberto pelo fogo das metralhadoras e canhões de artilharia, com arame farpado e podia ter também a presença de minas em áreas próximas as trincheiras que eram reforçadas por lança-chamas. Tornando-se um obstáculo intransponível desde o início da guerra, a “Terra de Ninguém” foi enfim superada em 20 de novembro de 1917, quando tanques ingleses conseguiram atravessar a área e avançar entre as trincheiras alemãs.


Em uma das cenas mais importantes do filme, a Mulher-Maravilha chega a uma dessas trincheiras no campo de batalha. Diana testemunha os horrores do conflito e se compadece com o sofrimento de homens, mulheres, crianças e animais. Desafiando o bom senso de se manter protegida na trincheira mesmo com todos os alertas de Steve Trevor, que lembra que a Terra de Ninguém é mortal, a Mulher-Maravilha surge e avança sobre o território hostil desviando de balas e inspirando coragem em seus aliados.


A cena torna-se mais impactante não por apenas ser o momento em que a heroína nasce (exibindo-se em ação com seu uniforme dos quadrinhos), mas também pelo suporte histórico que aquele momento oferece. Desafiar o espaço da “Terra de Ninguém” torna a Mulher-Maravilha capaz de fazer o impossível tornar-se possível. As palavras de Steve Trevor carregam o temor, a preocupação e o desafio que somente ela poderia enfrentar. E assim ela o faz.

Fontes:

http://www.oarquivo.com.br/temas-polemicos/historia/284-as-trincheiras-na-primeira-guerra-mundial-parte-1.html

http://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-vida-nas-trincheiras.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mulher-Maravilha

http://www.megacurioso.com.br/mito-ou-verdade/45470-mulheres-guerreiras-as-mitologicas-amazonas-realmente-existiram.htm

http://www.infoescola.com/historia/primeira-guerra-mundial/

http://www.sohistoria.com.br/ef2/primeiraguerra/

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