sexta-feira, 30 de outubro de 2015

[Arquivo H] Revolução Industrial | Relatos sobre o trabalho infantil nas fábricas


Lugar de criança era na fábrica durante a Revolução Industrial.

Na Revolução Industrial, o trabalho infantil foi empregado em demasia, pois os donos das fábricas buscando maiores lucros empregavam crianças pagando salários baixíssimos. Muitas crianças eram recrutadas nos orfanatos ingleses.

Porém o trabalho infantil já era empregado nas áreas rurais antes da Era das Fábricas. Desde cedo, meninos começavam a trabalhar nas atividades agropecuárias como semear e ordenhar cavas, por exemplo. As meninas ajudavam em casa preparando o pão e a comida. Mas no inverno, as pessoas tinham tempo livre para executar outras atividades como ficar, tecer, fabricar calçados etc.

Nas cidades, as crianças tiveram suas vidas completamente modificadas. Passavam menos tempo com a família, pois passavam praticamente o dia todo nas fábricas devido as longas jornadas de trabalho. No espaço urbano, as crianças perderam o contato direto com a natureza, pois em lugar de árvores, rios e andar a cavalo, a paisagem era composta por ruas estreitas e fétidas com o céu escurecido pela fumaça das fábricas.


A principio, somente as crianças de orfanatos eram empregadas como aprendizes nas fábricas, posteriormente, crianças que tinham família passaram a engrossar a força de trabalho infantil empregada nas fábricas.

As crianças começavam a trabalhar desde os 6 anos e ganhavam, em média,  um quinto do que os adultos recebiam. A jornada de trabalho começava as 5 de manhã e poderia ir até as 7 da noite. Acidentes de trabalho era algo comum. Muitas crianças perderam os dedos, as mãos e os braços nas fábricas inglesas.

Além de uma jornada de trabalho cansativa que esgotava completamente as crianças, esses pequenos operários eram violentamente castigados. Quando diminuíam o ritmo do trabalho, as crianças recebiam socos ou qualquer outro tipo de castigo para as manterem acordadas. Em algumas fábricas, supervisores mergulhavam as crianças em cisternas de cabeça para baixo. Crianças que chegavam atrasadas eram castigadas e muitas fugiam das fábricas, mas eram presas e fichadas pela polícia.


Abaixo você pode ler três testemunhos sobre o trabalho infantil nas fábricas inglesas durante a Revolução Industrial:

Documento #001: Lembranças de Jonathan Downe

“Quando eu tinha sete anos fui trabalhar na fábrica do Sr. Marshalls na cidade de Shrewsbury. Se uma criança estava sonolenta, o inspetor tocava no ombro da criança e dizia: ‘venha aqui’. Em um canto no quarto havia uma cisterna cheia de água. Ele levantava o menino pelas pernas e imergia na cisterna. Depois do banho, ele mandava a criança de volta para o trabalho.”

Depoimento de Jonathan Downe ao Comitê Parlamentar sobre o Trabalho Infantil, 6 de junho de 1832.


Documento #002: Lembranças de Robert Blincoe

“A primeira tarefa dada a Robert Blincoe foi a de apanhar o algodão que caía no chão, embaixo do tear mecânico.
Aparentemente, nada poderia ser mais fácil, mas ele estava muito apavorado pelo movimento giratório e pelo barulho da maquinaria, ele também não suportou o pó e a fumaça que o deixavam sufocado. Ele logo se sentiu doente e constantemente parava de trabalhar, pois suas costas doíam de tanto agachar. Blincoe achava que era livre para sentar e descansar, mas logo descobriu que isso era estritamente proibido nas fábricas têxteis.  O seu inspetor, Sr. Smith, lhe disse que tinha que ficar em pé [...].”

BROWN, John. Trecho da biografia de Robert Blincoe, publicado no jornal The Lion, 15 de janeiro de 1828.


Documento #003: Lembranças de John Birley

“Nosso turno era das cinco da manhã até nove ou dez da noite; e, no sábado, até às onze e, frequentemente, até às doze horas da noite. E ainda nos faziam vir no domingo para limpar a maquinaria. Não havia tempo para café-da-manhã, não se podia sentar durante o jantar e não nos davam nenhum tempo para tomar chá. Nós chegávamos à fábrica às cinco horas da manhã a trabalhávamos até aproximadamente as oito ou nove horas, quando nos traziam  o nosso café-da-manhã, que consistia em mingau  de aveia com bolo e cebolas para dar mais sabor a comida. O jantar consistia em bolo de aveia e leite [...] Nós bebíamos o leite e com o bolo em nossas mãos voltávamos a trabalhar, sem sentar.”

Depoimento de John Birley ao jornal The Ashton Chronicle, 19 de maio de 1849.


FONTE: Apolinário, Maria Raquel. Projeto Araribá: História/ensino fundamental (6º ano). 2ª ed. São Paulo: Moderna, 2007. 

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