terça-feira, 22 de maio de 2012

O Príncipe do Egito

IMAGENS SURPREENDESTES FAZEM DE O PRÍNCIPE DO EGITO UM FILME INESQUECÍVEL E UMA FONTE DE DISCUSSÃO NAS AULAS DE HISTÓRIA




Numa determinada aula de história, o professor pergunta ao aluno quais os seus conhecimentos sobre a história de Moisés. O aluno, seguro naquilo que sabia, respondeu sem pestanejar: “Sim! No Egito daquele tempo, os hebreus eram escravos dos egípcios, aí o faraó mandou eliminar todos os filhos dos hebreus para não deixar o número de hebreus aumentar. Teve uma mãe que se escondeu numa casa, esperando os soldados passarem. Aí quando deu para sair, ela fugiu até a beira do rio e colocou seu filho numa cesta e o lançou no rio. A cesta teve que passar pelos hipopótamos, pela boca dos crocodilos, quase bateu nos barcos e foi encontrado pela rainha que deu o nome de Moisés ao bebê”. Ao final da eloquente explicação o professor comenta: “pois é, também vi esse filme”.

 
Respondendo a questão feita pelo professor, o aluno descreveu a sequencia inicial do filme O Príncipe do Egito (1998). O filme foi a fonte construtora das imagens mentais desenvolvidas pelo aluno a fim de compreender o episódio narrado no livro do Êxodo. Dessa forma convém analisarmos o filme tendo em vista o seu potencial como fonte de discussão nas aulas de história pelas imagens que exibe.

O filme aborda dois pontos do conteúdo programático do 6º ano do ensino fundamental: a civilização do Antigo Egito e a história do povo hebreu.

 A história de Moisés e a saída do povo hebreu do Egito são narradas no livro do Êxodo. O filme deixa bem claro no seu início que apesar das liberdades artísticas tomadas, O Príncipe do Egito busca manter a essência de uma história fundamental a diferentes religiões.

O Príncipe do Egito inaugura as animações criadas pela “DreamWorks Studios”. Steven Spielberg, um dos fundadores da DreamWorks, teria sugerido a ideia de uma animação com proporções épicas e o filme “Os Dez Mandamentos” foi citado como uma história capaz de reunir grandeza, esplendor e magia que buscavam para a animação.

Algumas das pessoas envolvidas na produção do filme visitaram o Egito e capturaram in loco, através de seus desenhos, os monumentos e a arquitetura do Egito Antigo que serviriam para compor os cenários das ações de O Príncipe do Egito.

Todas essas informações são importantes ao professor que quer fazer uma análise séria do filme. Muitas informações podem ser encontradas no making off do filme em DVD. Além dos personagens e da ação, o professor pode analisar de que forma o Egito Antigo foi retratado no filme através dos cenários. Se a caracterização dos espaços ajudam a perceber as diferenças sociais entre os egípcios e os hebreus. Vários questionamentos podem ser feitos nesse sentido levando ao aluno refletir sobre a imagem proposta pelo filme. Nas entrevistas, os desenhistas revelaram que aumentaram em duas ou três vezes a proporção dos monumentos egípcios no filme a fim de transmitir a imagem de um império grandioso.








Além da arquitetura dos templos e dos palácios, em O Príncipe do Egito podemos perceber de que forma foi retratado o poder dos faraós. No filme são mostrados dois faraós. Num primeiro momento, Seth I, segundo faraó da XIX dinastia, é o governante do Egito.  Com a passagem do tempo, Seth I foi substituído por seu filho, Ramsés II, que reinou o Egito entre 1279 a.C. e 1213 a.C. Ainda podemos perceber o poder supremo dos faraós na frase: “Eu sou o Egito. A Estrela da Manhã e da Noite. Se eu disser que é noite está decidido”.




A relação entre egípcios e hebreus no contexto abordado no filme demonstra as relações de trabalho no Egito Antigo. A escravidão era a força de trabalho responsável pelas construções dos templos, palácios e pela produção nos campos. Os escravos realizavam os trabalhos mais perigosos e pesados.




Nesse momento é interessante vermos em que ponto a história do povo hebreu se cruza com a trajetória do povo egípcio. Tendo como fonte a Bíblia, os hebreus que haviam se fixado em Canaã - a Terra Prometida - emigraram para o Egito, por volta de 1800 a.C., após um longo período de seca e fome. O Egito naquela época estava sobre a dominação dos hicsos, mas com a expulsão destes, os hebreus foram escravizados pelos egípcios, que os acusavam de ter colaborado com os invasores.

Por muitos e muito anos, os hebreus viveram sobre o regime da escravidão até que por volta de 1250 a.C. fugiram de volta à Palestina, liderados por Moisés. A fuga do povo hebreu do Egito, narrado no livro Êxodo, é a fonte do enredo de O Príncipe do Egito.




Não se pode deixar de abordar, analisando O Príncipe do Egito, a religiosidade do povo egípcio e do povo hebreu. Com diferenças em suas práticas religiosas, o filme deixa bem claro em quais pontos as duas formas de religião divergem. O Príncipe do Egito mostra o politeísmo característico da religiosidade egípcia. As formas zoomórficas que os deuses egípcios possuíam são mostradas nas imagens dos templos e estátuas. Além disso, o filme mostra as atividades dos sacerdotes que tinham a função de executar os serviços religiosos como administrar os templos. No filme, Hotep e Huy são os sacerdotes que estão sempre ao lado do faraó prontos para aconselhá-los ou explicar questões ligadas a religião. 




Os hebreus possuíam uma religião de caráter monoteísta. Quando Deus aparece a Moisés revela que é o “Deus de seus antepassados, de Abraão, Isaac e Jacó”. Nesse encontro, Deus reafirma sua aliança com o povo hebreu e promete a liberdade do seu povo da servidão no Egito e levá-los a Terra Prometida.




O Príncipe do Egito foi lançado nos cinemas em dezembro de 1998 e arrecadou $ 218.613, 188 ao redor do mundo. O filme ainda foi indicado a dois Oscars e ganhou na categoria de Melhor Canção Original pela canção “When You Believe”. As canções tornam-se elementos que engrandecem ainda mais a produção. O filme apresenta imagens inesquecíveis como a escravidão no Egito, a jornada do povo hebreu pelo deserto e a passagem pelo Mar Vermelho. Imagens que permanecerão no nosso imaginário e serão referências quando refletirmos sobre o êxodo do povo hebreu do Egito.




          


Título Original: The Prince Of Egypt
Diretor: Stephen Hickner, Simon Wells, Brenda Chapman
Produção: Penney Finkelman Cox, Sandra Rabins
Roteiro: Philip Lazebnik
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Duração: 97 min.
Ano: 1998
País: EUA
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Dreamworks
Classificação: Livre

2 comentários:

  1. Fantástico esse filme fez parte da minha infância e até mesmo hoje

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  2. Fantástico esse filme fez parte da minha infância e até mesmo hoje

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